Muito tem se falado sobre a crise de
criatividade atualmente no cinema. Até mesmo na literatura, no
teatro e na televisão. Onde estão as grandes histórias, os grandes
clássicos que ecoam por gerações. É praticamente consenso que se
tornaram cada vez mais raros. O que eu penso é que a crise nem é
tanto de criatividade, mas de percepção e oportunidade. Não
deixamos de ser criativos, novas histórias estão aí, por todo
lugar, na mente de muitos criadores, só esperam uma possibilidade de
serem contadas.
Vamos analaizar a coisa toda em
perspectiva e em termos de suporte. A humanidade, desde os seus
primórdios, sempre foi afeita a criar e contar histórias.
Primeiramente foi a tradição oral, as histórias eram contadas de
boca a boca ou então encenadas teatralmente. Mesmo já existindo a
escrita, não se escreviam livros contando histórias. No máximo,
peças teatrais eram transcritas para encenações posteriores.
Com o surgimento da prensa de
Guttemberg e a facilidade dos livros serem reproduzidos, histórias
passaram a ser contadas através deste suporte. Assim, mais histórias
foram criadas e contadas através dos livros do que em todo o período
da tradição oral, o mesmo pode ser aplicado ao mundo do teatro. Era
mais fácil ler um livro e contar uma história apartir de então, do
que na época em que era preciso memorizar uma história para poder
contá-la, os livros facilitaram a disseminação de histórias.
Uma nova revolução surgiu com a
invenção do cinema. Agora não era mais necessário ler as
histórias, mas sim apenas observá-las se desenrolando na tela. Da
mesma forma que anteriormente através dos livros, esse novo suporte
fez com que muito mais novas histórias pudessem ser criadas e
contadas. E novamente, essa quantidade superou em muito o período
anterior, dos livros.
Os Três Porquinhos, a história talvez
mais universalmente difundida através de um novo suporte, no caso o
cinema.
Com a televisão houve um novo salto.
Devido a facilidade de produção e reprodução – além de poder
reproduzir as histórias criadas para o cinema para uma quantidade
muito maior de pessoas, o novo suporte permitiu a criação de mais e
mais histórias ainda, superando de novo o período anterior.
Chegamos então aos tempos atuais, com
o novo suporte sendo computadores conectados mundialmente em rede.
Aqui o padrão se repete, o novo suporte permite reproduzir todas as
histórias criadas nos suportes anteriores e abre novas
possibilidades para criação. O primeiro ponto decisivo foi a
possibilidade de se publicar na Internet vídeos que ultrapassassem o
limite de dez minutos possíveis de serem assistidos on line. O
segundo foi quando essa possibilidade foi transposta para os
celulares.
A questão que se apresenta então é a
seguinte: estamos usando esse novo suporte para criar e contar novas
histórias? Nenhum dos suportes anteriores foi morto por seus
sucessores, as pessoas ainda contam histórias, lêem livros, vão ao
teatro e ao cinema, assistem televisão. Mas estamos usando nossa
criatividade para contar histórias através de computadores e
celulares?
PS.: Admito aqui que esta postagem é
contaditória, ela deveria ser feita em formato de vídeo para
computadores e celulares com todas as possibilidade tecnológicas que
esse novo suporte oferece.

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