sexta-feira, 22 de julho de 2016

Deixamos de ser bons em criar e contar histórias?


Muito tem se falado sobre a crise de criatividade atualmente no cinema. Até mesmo na literatura, no teatro e na televisão. Onde estão as grandes histórias, os grandes clássicos que ecoam por gerações. É praticamente consenso que se tornaram cada vez mais raros. O que eu penso é que a crise nem é tanto de criatividade, mas de percepção e oportunidade. Não deixamos de ser criativos, novas histórias estão aí, por todo lugar, na mente de muitos criadores, só esperam uma possibilidade de serem contadas.


Vamos analaizar a coisa toda em perspectiva e em termos de suporte. A humanidade, desde os seus primórdios, sempre foi afeita a criar e contar histórias. Primeiramente foi a tradição oral, as histórias eram contadas de boca a boca ou então encenadas teatralmente. Mesmo já existindo a escrita, não se escreviam livros contando histórias. No máximo, peças teatrais eram transcritas para encenações posteriores.


Com o surgimento da prensa de Guttemberg e a facilidade dos livros serem reproduzidos, histórias passaram a ser contadas através deste suporte. Assim, mais histórias foram criadas e contadas através dos livros do que em todo o período da tradição oral, o mesmo pode ser aplicado ao mundo do teatro. Era mais fácil ler um livro e contar uma história apartir de então, do que na época em que era preciso memorizar uma história para poder contá-la, os livros facilitaram a disseminação de histórias.


Uma nova revolução surgiu com a invenção do cinema. Agora não era mais necessário ler as histórias, mas sim apenas observá-las se desenrolando na tela. Da mesma forma que anteriormente através dos livros, esse novo suporte fez com que muito mais novas histórias pudessem ser criadas e contadas. E novamente, essa quantidade superou em muito o período anterior, dos livros.



Os Três Porquinhos, a história talvez mais universalmente difundida através de um novo suporte, no caso o cinema.

 
Com a televisão houve um novo salto. Devido a facilidade de produção e reprodução – além de poder reproduzir as histórias criadas para o cinema para uma quantidade muito maior de pessoas, o novo suporte permitiu a criação de mais e mais histórias ainda, superando de novo o período anterior.


Chegamos então aos tempos atuais, com o novo suporte sendo computadores conectados mundialmente em rede. Aqui o padrão se repete, o novo suporte permite reproduzir todas as histórias criadas nos suportes anteriores e abre novas possibilidades para criação. O primeiro ponto decisivo foi a possibilidade de se publicar na Internet vídeos que ultrapassassem o limite de dez minutos possíveis de serem assistidos on line. O segundo foi quando essa possibilidade foi transposta para os celulares.


A questão que se apresenta então é a seguinte: estamos usando esse novo suporte para criar e contar novas histórias? Nenhum dos suportes anteriores foi morto por seus sucessores, as pessoas ainda contam histórias, lêem livros, vão ao teatro e ao cinema, assistem televisão. Mas estamos usando nossa criatividade para contar histórias através de computadores e celulares?


PS.: Admito aqui que esta postagem é contaditória, ela deveria ser feita em formato de vídeo para computadores e celulares com todas as possibilidade tecnológicas que esse novo suporte oferece.

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